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Morre paciente que tocou violão e cantou Legião Urbana durante cirurgia para retirada de tumor cerebral
Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, foi submetido ao procedimento em setembro, na Santa Casa de Marília; ele morreu nesta segunda-feira (2), após tratamento contra o câncer.
Por Felipe Augusto
Publicado em 03/11/2026 10:10 • Atualizado 03/11/2026 10:10
Região

O paciente que chamou a atenção ao tocar violão e cantar a música “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana, durante uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral morreu nesta segunda-feira (2), aos 51 anos, em decorrência da doença.

Fábio Aparecido Pereira dos Reis era supervisor de engenharia e morava em Pompeia (SP). Ele foi diagnosticado com glioma, um tipo de tumor cerebral, em 2 de setembro. Seis dias depois, passou por uma cirurgia na Santa Casa de Marília (SP).

Durante parte do procedimento, o paciente permaneceu acordado e tocou violão enquanto cantava. A técnica permitiu que a equipe médica acompanhasse, em tempo real, funções neurológicas importantes, como fala, raciocínio e coordenação motora.

A cirurgia foi realizada em setembro, mas Fábio não resistiu ao período pós-operatório e ao tratamento contra o câncer. O sepultamento ocorreu na manhã desta terça-feira (3), no Cemitério Municipal de Pompeia.

Cirurgia com paciente acordado

O neurocirurgião Ruy Okaji, responsável pelo procedimento, explicou que a técnica de craniotomia com o paciente acordado é utilizada pela equipe há mais de 20 anos, em casos específicos.

Como Fábio tinha o hábito de tocar violão e cantar, a equipe médica incorporou a atividade aos testes realizados durante a operação.

Inicialmente, o paciente foi anestesiado para a abertura do crânio. Depois, foi despertado e submetido a testes de linguagem, leitura, cálculos simples e memória. Por fim, cantou e tocou violão.

Segundo o médico, o mapeamento cerebral durante a cirurgia permite identificar as áreas responsáveis por funções essenciais e retirar a maior quantidade possível do tumor, reduzindo o risco de sequelas.

A apresentação improvisada emocionou os profissionais que acompanhavam o procedimento.

Sintomas e diagnóstico

A música sempre fez parte da vida de Fábio, que também tocava guitarra e já havia se apresentado em bares, festas de aniversário e encontros com familiares e amigos.

De acordo com a esposa, Edineuza Reis, os primeiros sintomas surgiram pouco antes da cirurgia. Ele apresentava dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e falhas de memória.

Após passar por consultas médicas e ficar afastado do trabalho por uma semana, Fábio foi levado à Santa Casa de Marília, onde exames de imagem identificaram o tumor.

Ele foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes da cirurgia, para que o inchaço cerebral fosse controlado.

A história do paciente foi divulgada pelo g1 Bauru e Marília, que acompanhou o caso desde o procedimento.

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