SÃO MANUEL (SP) — Em meio à repercussão de denúncias que envolvem seu nome, o vereador Serginho permaneceu em silêncio durante a fala livre de uma sessão ordinária da Câmara Municipal de São Manuel. O caso também cita Davi Pires, então vereador no período dos fatos, em uma investigação da Polícia Civil sobre movimentações financeiras e contratos relacionados ao período eleitoral.
Relembre as denúncias
Segundo depoimento prestado à Polícia Civil em 9 de outubro, um tratorista de 25 anos afirmou ter emprestado sua conta bancária a pedido do sogro, identificado no relato como Serginho. A conta teria recebido transferências que totalizaram R$ 10 mil em setembro de 2026.
De acordo com a testemunha, após os depósitos foram realizados saques em dinheiro, cujos valores teriam sido entregues pessoalmente a Davi Pires e a Bruna, filha do vereador mencionado no depoimento.
A reportagem também teve acesso a conversas de WhatsApp sobre contratos de prestação de serviços eleitorais e a áudios com referências a pagamentos por trabalhos realizados.
Os registros levantam questões sobre a origem e a destination dos recursos e a eventual relação entre as movimentações bancárias e os contratos citados. A documentação, porém, não comprova, por si só, a ocorrência de crime ou a responsabilidade dos citados.
Reviravolta no Legislativo e bastidores políticos
Na tarde desta segunda-feira (19), o vereador Davi Pires renunciou ao mandato, em um movimento que pode ter impactos políticos diretos sobre o vereador Serginho. Até então, Davi era considerado um dos principais aliados de Serginho na Câmara Municipal.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que, com a saída de Davi, Serginho pode perder parte de sua sustentação política no Legislativo. Os dois apareciam juntos em vídeos, compartilhavam agendas e atuavam em conjunto na política local.
Após a renúncia do ex-aliado, a denúncia contra Serginho foi formalmente protocolada no plenário. Interlocutores da Câmara de Vereadores apontam que o pedido de abertura de apuração terá votação favorável de 100% dos vereadores da base do governo. No entanto, nos bastidores, os mesmos interlocutores avaliam que a probabilidade de cassação efetiva do mandato do parlamentar ainda é baixa, diante das articulações regimentais e do rito legal que o processo exige.
Sem o antigo aliado ao seu lado e sob forte pressão dos pares, o cenário nos corredores do Legislativo é de incertezas sobre os desdobramentos de longo prazo para o futuro político de Serginho.
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos do caso.