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Igreja histórica de Gália enfrenta abandono e risco de desabamento após quase um século
Capela de São João, construída em 1935 por investidores britânicos, é a única edificação remanescente de uma antiga colônia cafeeira e aguarda recursos para restauração.
Por Felipe Augusto
Publicado em 01/11/2026 14:32
Região

Uma igreja de arquitetura neogótica inglesa, com quase um século de história, corre o risco de desabar na zona rural de Gália, no interior de São Paulo. A Capela de São João, inaugurada em 1935, enfrenta abandono, vandalismo e deterioração estrutural, apesar de ter sido tombada como patrimônio histórico e cultural do município em 2020.

O templo é a única construção que permanece de pé do antigo complexo da Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, conhecido como Companhia Inglesa. O local chegou a abrigar cerca de 2 mil pessoas durante o auge da produção cafeeira, mas hoje a igreja depende de intervenções emergenciais para evitar o colapso de sua estrutura.

Estrutura comprometida e escoramento improvisado

O estado de conservação da capela se agravou ao longo dos anos, principalmente após o encerramento das atividades religiosas e a falta de manutenção contínua.

Portas e esquadrias desabaram, as paredes foram pichadas e partes do interior sofreram danos. O imóvel chegou a ser interditado devido ao risco de colapso do telhado.

Em 2024, foram realizadas intervenções emergenciais de escoramento na cobertura. A estrutura, que dependia de esteios improvisados de eucalipto, recebeu reforços para evitar que o teto desabasse.

Segundo João Paulo Piovezan, estudante de relações internacionais de 19 anos que atuou voluntariamente no processo de tombamento, a medida foi necessária para preservar a construção até que sejam viabilizados recursos para o restauro.

Apesar da intervenção, a igreja continua aguardando uma solução definitiva. O município busca financiamento e recursos para executar a restauração completa do patrimônio.

Capela marcou a história da colônia inglesa

A Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá foi fundada em 1926 por investidores britânicos de Liverpool, que pretendiam desenvolver uma das maiores fazendas de café do país.

A capela foi inaugurada em 1935, com a primeira missa celebrada pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva.

Durante décadas, o templo foi um dos principais pontos de encontro da comunidade rural. A tradicional festa de São João, padroeiro da capela, reunia colonos e moradores da região.

A fazenda chegou a contar com moradias, escolas, praças esportivas, clube social e uma sala de cinema e teatro, que recebia espetáculos e exibia filmes.

Com o fim das atividades agrícolas e a desativação gradual da colônia, a comunidade foi deixando o local. A última missa com moradores foi celebrada em 1982. Anos depois, algumas celebrações esporádicas foram retomadas, mas suspensas definitivamente em 2010.

Tombamento ainda não garantiu a restauração

A capela foi tombada em 2020, após uma mobilização de moradores e pessoas interessadas na preservação da história de Gália. O município também declarou o imóvel de utilidade pública para desapropriação.

Mesmo com as medidas de proteção, a restauração ainda não foi viabilizada.

O abandono também abriu espaço para atos de vandalismo. De acordo com Piovezan, bancos antigos foram destruídos, o altar sofreu danos e as paredes foram pichadas.

Atualmente, o local continua atraindo ciclistas, motociclistas e fotógrafos interessados na arquitetura europeia e na história da antiga fazenda. A visitação, porém, exige atenção devido às condições da estrutura.

Último vestígio de um período histórico

Com o passar dos anos, casarões, armazéns, escolas e outras construções da Companhia Inglesa foram demolidos ou desapareceram em meio à vegetação.

A Capela de São João é a única edificação remanescente do antigo complexo e representa um importante registro da história da cafeicultura e da colonização rural na região.

 

Enquanto aguarda recursos para a restauração, o templo permanece exposto à ação do tempo. A preservação da igreja depende de medidas capazes de garantir a segurança da estrutura e impedir que um dos últimos vestígios desse período histórico desapareça.

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