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Adolescente de Marília supera trauma e se torna caçador de tempestades
Mateus Luz, de 16 anos, começou a estudar fenômenos meteorológicos após um vendaval atingir a casa da família; jovem já realizou sete expedições e pretende seguir carreira na meteorologia
Por Felipe Augusto
Publicado em 04/11/2026 10:38
Região

Um trauma de infância se transformou em uma paixão pela meteorologia para o adolescente Mateus Luz, de 16 anos, morador de Marília (SP). Após presenciar os estragos provocados por um vendaval na propriedade da família, ele passou a estudar fenômenos climáticos e, aos 14 anos, começou a praticar a chamada caça às tempestades.

O hobby, que envolve monitoramento e observação de sistemas meteorológicos, já levou o jovem a realizar sete expedições pelo interior paulista. Com o apoio dos pais e de amigos, Mateus pretende transformar o interesse pela área em profissão.

Vendaval despertou interesse pela meteorologia

O interesse começou quando Mateus tinha 12 anos. Na época, uma forte tempestade atingiu a chácara onde a família mora, provocando medo e preocupação.

Segundo a mãe do adolescente, Alessandra Luz, a experiência marcou o filho, que passou a buscar explicações sobre os fenômenos que havia presenciado.

"Eu nunca imaginei que, anos mais tarde, aquele trauma viraria uma paixão", relatou Alessandra.

O incentivo da família e o interesse por meteorologia fizeram com que Mateus aprofundasse os estudos. Em 2024, o relançamento do filme "Twister", de 1996, nos cinemas também contribuiu para que ele se dedicasse à atividade.

Com o tempo, o estudante passou a acompanhar as condições meteorológicas, aprimorar os equipamentos e investir no aprendizado sobre tempestades.

Expedições exigem planejamento e acompanhamento

Para realizar as observações, Mateus utiliza câmeras fotográficas, softwares de radar, modelos de previsão numérica e cartas meteorológicas.

O planejamento começa dias antes de cada viagem, com o monitoramento das condições atmosféricas, da possibilidade de formação de tempestades e das áreas com maior potencial para eventos severos.

As expedições são realizadas com o acompanhamento de outras pessoas, que ajudam a definir os trajetos e as rotas de fuga diante de possíveis mudanças nas condições do tempo.

Apesar do interesse do filho pela atividade, Alessandra afirma que considera a prática perigosa e procura acompanhá-lo durante as viagens.

Jovem pretende seguir carreira na meteorologia

Entre os registros mais marcantes, Mateus destaca uma supercélula clássica noturna, fotografada em 30 de agosto, e uma formação conhecida como supercélula "nave-mãe", registrada em maio.

As supercélulas são tempestades organizadas que apresentam uma corrente de ar ascendente em rotação e podem produzir fenômenos severos, como granizo e rajadas intensas de vento.

O adolescente pretende ingressar no ensino superior na área de ciências atmosféricas para aprofundar os conhecimentos adquiridos por conta própria.

"É algo que venho estudando por conta própria e gostaria de aprofundar meus conhecimentos profissionalmente no futuro", afirmou Mateus.

Além da formação acadêmica, ele pretende continuar realizando expedições para observar e registrar tempestades, conciliando a prática com os estudos.

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