Aos 83 anos, Edson Figueira mantém uma tradição familiar há 61 anos em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). Conhecido como Raposa, ele herdou do pai e do tio o ofício de pedreiro de túmulos e se tornou uma referência para as famílias que procuram serviços no cemitério municipal.
Nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, a história do profissional destaca a relação entre o trabalho no cemitério e a tradição de homenagear pessoas que morreram.
Edson começou na profissão aos 22 anos, após o pai deixar o trabalho no cemitério. Desde então, construiu uma relação próxima com os moradores da cidade.
Segundo ele, algumas famílias o procuram antes mesmo de iniciar os procedimentos burocráticos relacionados ao sepultamento.
“Quando morre uma pessoa da família, antes de ir no cemitério, eles já vão lá em casa para perguntar do túmulo”, conta.

Atualmente, o profissional acompanha uma média de 30 a 35 sepultamentos por mês. Com o passar dos anos, adaptou suas atividades e passou a administrar os serviços realizados por outros pedreiros.
“Hoje eu mais administro os serviços dos pedreiros que trabalham comigo”, explica.
Mudanças na profissão
Ao longo de mais de seis décadas de trabalho, Edson acompanhou mudanças nas ferramentas e nas condições de trabalho nos cemitérios.
Ele lembra que, no início da carreira, os equipamentos eram mais simples e exigiam maior esforço dos profissionais.
“Quando eu trabalhava era difícil, porque naquele tempo não tinha muita ferramenta. Naquele tempo o carrinho que a gente usava lá era tudo de roda de ferro. Agora é tudo mais fácil”, relata.
Apesar de ter começado abrindo covas, atualmente ele trabalha com reformas, reparos e serviços relacionados aos túmulos.
Túmulo da própria família
A relação de Edson com o trabalho também se estende à própria família. Há cerca de 30 anos, ele comprou um terreno no cemitério para construir o jazigo familiar.
Em 2024, após a morte da esposa, foi o próprio pedreiro quem construiu o túmulo onde ela foi sepultada. Para a obra, reaproveitou pedras de granito que recebeu de uma antiga sepultura demolida.
Acidente marcou a história da família
Um dos episódios mais marcantes da trajetória de Edson ocorreu na década de 1960, quando seu pai trabalhava no cemitério e participou do sepultamento de dez pessoas que morreram em um acidente de trânsito.
As vítimas eram torcedores do time Santa-cruzense que viajavam em uma Kombi para acompanhar uma partida contra o Cerâmica, em 1963.
O acidente ocorreu no quilômetro 191 da Rodovia Raposo Tavares. Todos os ocupantes do veículo morreram.
Edson recorda que o pai acompanhou os sepultamentos, realizados em covas alinhadas no cemitério.
“Na época, meu pai trabalhava lá, todos foram sepultados na terra e as covas enfileiradas”, lembra.
Ao longo de 61 anos de profissão, Edson acompanhou gerações de famílias e as transformações no trabalho nos cemitérios. Aos 83 anos, continua atuando na atividade que herdou de familiares e que se tornou parte de sua história em Santa Cruz do Rio Pardo.